Pelo fim da derrama.
* Texto de Autoria de José Francisco de Oliveira Neto, engenheiro civil, empresário e administrador de empresas.
* Co-autoria e revisão: Ayerton Júnior.
Mais de quinhentos
anos se passaram e ainda perduram resquícios do período colonial no qual éramos
submissos ao império português, que nos enxergava apenas como fonte de
espoliação.Bastava a eles estabelecer percentuais de contribuição e nos impor
a “derrama”.
Esta nefasta herança, que sobrevive há séculos como uma endemia e permanece até os dias de hoje, tornou-se uma cultura seguida por
nossas elites dirigentes, para os quais os governos existem não para servir, mas para serem servidos pela população, onerando pesadamente os setores
trabalhadores e produtivos da economia.
Cada vez mais o Estado se torna um paquiderme
burocrata e corporativista, que estamos condenados a sustentar.
A sua ineficiência e incompetência se faz notória e
progressiva quanto `as suas responsabilidades básicas, tais como justiça,
segurança, educação e saúde.
Por outro lado, se mostra ágil na função
fiscalista, agindo de forma selvagem, predadora e espoliativa com o intuito de
sustentar o peso desta máquina obsoleta, constantemente majorando por sua mera conveniência
a já insuportável carga tributária.
Eu diria que o empresário brasileiro é antes de tudo
um teimoso, que só encontra obstáculos a sua existência. Penso que, contrariamente ao que acontece, deveríamos ter no Estado um parceiro,
incentivador do crescimento, da inovação, das pesquisas, que fomentasse
iniciativas empreendedoras para geração de riquezas e empregos.
Não um Estado
imediatista, perseguidor, oportunista e às vezes, no mal sentido da palavra, maquiavélico, corriqueiro
articulador de ações para aumentar a arrecadação e manter os benefícios da grande
minoria privilegiada que dele
depende.
A preocupação é que esta inconsequente ganância
tributaria não é eficaz e muito menos inteligente.
Na impossibilidade de sobreviver e lutar
contra este “inimigo cruel”, parte crescente da economia se vê levada à informalidade,
ou até mesmo a fechar as portas. E a cada porta fechada aumenta a fila de
desempregados ou dos subempregados, e por consequência, aos problemas sociais.
O rascunho inicial deste texto foi escrito em ao final
do ano de 2010, resultado na época do meu desapontamento com a gestão
administrativa do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que apesar de tão
culto e respeitado, detentor da minha admiração
pessoal, pouco havia feito para reverter
este crônico problema brasileiro.
Diria que até pelo contrário, uma vez que durante os seus
dois mandatos tivemos o agravamento deste quadro, visto que neste período as
alíquotas tributárias cresceram em valores absolutos.
Porém, já se passado mais de doze anos da regência do “governo
da esperança”, prometido pela antiga oposição que pregava a igualdade social,
nada mudou, a não ser a publicidade do obscuro destino dos nossos suados
impostos, por vezes arrecadados na base da sangria do contribuinte.
Os recentes casos de corrupção e desvios do erário público
talvez expliquem a arrecadação predatória dirigida a um buraco negro sem fim.
Qualquer medida implementada que vise crescimento
econômico que não passe por uma gradual e significativa redução de impostos,
além da necessária simplificação e democratização dos mesmos, é pura balela e conversa
fiada.
Estamos cansados de saber que o atual sistema é perverso,
inflacionário e ineficaz, ficando este manancial de recursos entregue a um Estado
perdulário, que não gera lastro e não traz retorno, desviando recursos
preciosos que certamente estariam melhor aproveitados nos setores de atividades produtivas.
De nada adianta a longo prazo segurar a inflação à custa de
altas taxas de juros, desemprego e enfraquecimento dos mercados de consumo.
Tudo isto é inócuo, pois no futuro teremos um povo mais pobre e um pais mais
endividado.
A globalização e a abertura do mercado deixou evidente que o Custo Brasil é insustentável a médio e longo prazo. Não existe mágica. Não há
como aumentar a exportação concorrendo em desvantagem
internacionalmente.
E, internamente, qual incentivo tem o empresariado em fazer
crescer o seu negócio, esbarrando repetidamente no emaranhado de leis e
responsabilidades fiscais, competindo
com setores na quase informalidade, desconsiderando aqui os problemas com a crescente
insegurança e espantosa onda de
violência?
Como otimista que ainda
sou, fica o alento de que pelo menos a doença foi diagnosticada corretamente.
O nosso problema é conjuntural e interno.
Para que alcancemos um país verdadeiramente soberano, com o futuro promissor para
nossos filhos, cabe a nós mesmos, brasileiros, homens e mulheres de bem, descobrir
o remédio capaz de reverter esta doença que está minando nossas forças.
Não se podemos aceitar que a cada centena de bens
produzidos, seja jogado fora mais de 30% na cascata de tributos sobrepostos e
terrivelmente gerenciados.
Sob pena de nos tornarmos uma subnação, onde
prolifera apenas os grandes conglomerados internacionais, recebendo o restante
somente investimentos extrativistas donde participamos apenas como provedores
de matérias primas e outros bens de pouco valor agregado, ou como simples
fornecedores de mão de obra barata.
Não podemos deixar que nos rotulem de incompetentes ou
incapazes, pois não o somos!
Acima de tudo, brasileiros... povo trabalhado, cheio
de grandes talentos e valores, penalizados por um regime fiscal incoerente com
a nossa realidade econômica.

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